sexta-feira, 18 de maio de 2007

Cap. 24 – Bangalore & Mysore

Meu rumo agora é o sudeste. O estado, Karnataka. As cidades, Bangalore, capital, e Mysore. Bangalore é área de concentração das empresas e escolas de informática. A cidade parece um grande canteiro de obras mas rápidamente se percebe que estamos na India pois há centenas de operários (leia-se homens) com uniformes e capacetes de segurança andando de um lado para o outro e subindo em andaimes, trabalhando lado a lado com mulheres vestindo sarees e carregando pedras na cabeça, usando apenas seus xales como proteção. Visitamos um parque no centro da cidade e aproveitamos para caminhar um pouco pelas alamedas e relaxar um pouco. O prédio biblioteca municipal também fica no meio do parque e é muito bonito, pintado de vermelho e na porta tinham ônibus-bibliotecas estacionados, com prateleiras cheias de livro. Comemos num restaurante indiano e depois de sofrer diante de tantos nomes com nenhum sentido ou significado, escolhi uma sweet corn soup ( corn é milho e isso eu conheço ) e butter naan, um tipo de pão sirio enorme. Mas quando a comida chegou minha amiga indiana Sangueeta, disse que eu não deveria comer essas coisas pois a sopa provavelmente não era fresca e o tal naan era muito pesado..fiquei desconsolada...foi tão dificil escolher e ela acabou com a pouca esperança que eu tinha de me alimentar. Mas ela compartiu comigo seu dosa (um tipo de panqueca) e me aconselhou a pedir um idli – um bolinho feito de arroz fermentado e lentilha branca, que é cozido na água embrulhado numa folha, como se fosse uma pamonha. Minha amiga é Jain, vegetarianos radicais. Os mais ortodoxos não comem nenhum alimento que tenha vindo de debaixo da terra, como alho e cebola, pois pode ser que quando foram colhidos, mataram algum pequenos verme ou insetos ! Já li que em alguns dias ou situações eles usam um pano para cobrir o nariz e a boca para não correr o risco de ingerir ou respirar algum pequeno inseto e matá-lo ! Haja exagero né. Depois do almoço pegamos o trem para Mysore. A paisagem é muito parecida com a brasileira. Muuuitos coqueiros, algumas carnaúbas, babosa, cabras, vacas, búfalos, crianças acenando, camponeses trabalhando nas lavouras de arroz e muita cana de açucar. A diferença deles com nossos camponeses é que aqui as mulhers usam sarees e os homens usam saias. A sistema de irrigação é interessante.. São uns platôs quadrados, posicionados em diferentes níveis de altura com se fosse uma escada, irrigados de cima para baixo. Quando o platô superior fica cheio, derrama no debaixo e assim sucessivamente. Nos hospedamos num hotel razoável com um aspecto ocidental. Eu pedi um quarto sem ar condicionado, prefiro usar o ventilador de teto. Mas quando o carregador abriu a porta do quarto fui atingida por uma massa quente !! o único quarto sem AC ficava no canto que pegava o sol mais forte da tarde !! super inteligente ! Ou estratégico, pois como são muito sacanas devem fazer isso para que o pobre turista se assuste e opte pelo quarto com AC. Depois que ele saiu eu percebi que a porta do quarto em frente ao meu também não tinha AC mas era muito mais fresco. Não tive dúvida, desci na recepção e ¨avisei¨ ao gerente que estava trocando de quarto. Isso é uma coisa bem indiana, sempre te dão o pior negócio (quarto, produto, preço ) e cabe a você negociar. Se você fica quieto e aceita eles sentem que fizeram um ótimo negócio por que te enganaram. Aqui temos que negociar por algo melhor sempre ! A noite saimos para ver o palácio do marajá. O estilo arquitetônico é uma mistura de palácio indiana com museu europeu, chamado indo-saracênico. Quando anoitece todos ficam em expectativa para ver o espetáculo de acendimento das luzes. Contornaram toda a fachada, janelas, portas e torres com 97,000 lâmpadazinhas brancas e criaram um efeito de luzes muito legal. Parece natal ! Muitas familias, com crianças, passeavam nos imenso jardins e faziam filas para entrar no nos dois templos que existem dentro dos muros do palácio. No dia seguinte fomos visitar uma colina sagrada, Chamundi, onde fica o principal templo da cidade e local de muita peregrinação. Na estrada cruzamos com várias pessoas subindo a pé debaixo de um calor, que já naquela hora, era insuportável. Como em todos os templos teríamos que tirar os sapatos para entrar mas o chão era tão sujo e molhado que decidi ficar do lado de fora Toda hora chegavam muitas familias. Os homens, vestindo as tais saias brancas, carregando oferendas para os Deuses. Colares, guirlanda de flores, frutas, côcos e especiarias, compradas dos inúmeros vendedores e barracas no caminho para o templo. Perto da porta tinha um estacioamento de sapatos...Vejam a foto Um homem veio me pedir para tirar fotos do seu filho e logo sua esposa também veio com o bebe. Fez uma pose bem bonita mostrando seus dentes todos vermelhos de mascar condimentos e seus bebê de cabeça raspada! Nessa colina tem uma escadaria de 1000 degraus que os pelegrinos que visitam templo tem que subir para melhorar seus karmas. No metade do trajeto tem uma escultura de pedra de 5 mts de altura de um boi chamado Nandi - búfalo do deus Shiva - que para eles também é uma divindade. A escultura é impressionante e aos pés dela fica um sacerdote, vestido com um pano branco, com detalhes dourados, abençoando e colocando uma pinta vermelha na testa dos pelegrinos que fazem fila a frente dele. Quando saem, tocam a escultura e se benzem. Até um cachorro foi benzido e levou feliz sua pinta vermelha na testa ( cachorro tem testa ?). Depois fomos visitar uma das únicas fábricas de processamento da madeira e produção de produtos de sândalo no mundo. Ela pertence ao governo indiano e é bem arrumadinha mas não mostra muita coisa da processo porque é segredo ! Só de sentir o cheiro de sândalo em todos os lugares já era muito bom. Passamos em um galpão onde a madeira é triturada e um operário velhinho e muito sorridente pegou um punhado de serragem e passou na minha mão. Incrível o perfume que ficou na minha pele o dia todo ! O governo tem plantação de árvores de sândalo em várias partes do país e todas são númeradas e controladas. Tudo dela aproveitado e o que sobra é misturado com essências e vira incenso. Almoçamos num palácio super bonito que agora virou hotel. Os quartos são imensos e super luxuosos e já receberam reis e rainhas, artistas e presidentes. A visita seguinte foi ao palácio do marajá novamente, só que agora para visitar o interior dele. Na entrada nova confusão pois não podia entrar com camêras, tinha que deixar o sapato do lado de fora..uma chatice... O palácio é bonito mas super rebuscado...Tem anjo de saree, teto imitando céu como nas igrejas católicas, corredores imensos com estátuas gregas e milhares de espelhos, lustres de cristal...Tudo que pareça ser luxuoso está lá. De lá fomos ao zoológico mas chegamos no fim da tarde e os bichos já estavam se recolhendo. Só consegui ver os tigres desfrutando enormes pedaços de carne. Eram lindos. Do resto só consegui ver direito um pavão branco e outras aves raras. Mysore é uma cidade muito agradável, com ruas ladeadas por árvores e lagos. As avenidas são largas e nos principais cruzamentos copiaram as enormes rotatórias das cidades européias o que deixa o visual mais leve e bonito –sempre tem uma estátua e jardins no centro – e ajuda a fluir o trànsito. De noite fomos a um restaurante bem legal e conhemos duas inglesas super simpáticas. Entre comida e algumas bebidas, trocamos experiências e histórias sobre a India. No dia seguinte pegamos o trem de volta pra Bangalore e encontramos nossa amiga Sangeeta na estação. Só pra esclarecer....EU TRABALHO SIM.. eu sei que alguns estão pensando que eu só tenho viajado, mas não é verdade. O problema é que eu demoro pra contar as viagens...Esta por exemplo foi em fevereiro ! O dia a dia não tem mais muita novidade para contar...só mais do mesmo...Aulas, alunos, poluição, trânsito, buzinas, barulhos e cusparada vermelha ! Acho que vocês merecem histórias melhores !! Beijo grande e boa semana

4 comentários:

Fê Pavanello disse...

Êêêê!!
Estava esperando ansiosa por um novo relato!!!
Adorei!!

Unknown disse...

me too.

Fê Pavanello disse...

Li recentemente uma reportagem sobre o mais jovem empresário de sucesso do mundo e ele é justamente de uma empresa de software de Bangalore. Vou tentar achar essa reportagem e linkar aqui. É bem legal. Bjos

Fê Pavanello disse...

Aqui está: http://noticias.terra.com.br/revistas/interna/0,,OI1617788-EI8277,00.html