quinta-feira, 3 de maio de 2007

Capitulo 23 - Caminho para a escola – 6 meses depois

Indianos adoram ler jornal Concretagem da pista Café da manhã dos corvos Operárias da construção civil ¨uniformizadas¨
Como todos os dias, tinha um rickshaw parado no portão do condominio e quando me viu fez o tradicional movimento de cabeça, indicando o banco de trás, como se dissesse, pode sentar que eu te levo! Sentei e disse o mesmo de todo dia..Linking road ! e ele saiu acelerando e buzinando pelo caminho que eles mais gostam um estreito labirinto de casas, templos, deuses, pessoas, enormes crucifixos, barracas de frutas e verduras, montanhas de lixo, cachorros, bicicletas, corvos e ratos. Surpreendentemente a tradicional montanha de lixo não estava tão alta hoje, talvez por causa do feriado ontem. Uma mulher velha e alguns corvos competiam, vasculhavam sacos plásticos a procura de algo para comer. Tampei o nariz. O cheiro era horrível. Do outro lado da rua um homen gordo, suando, vestindo uma toalha amarrada na cintura e uma camiseta de alça, tirava pacientemente os gomos de uma enorme jaca e os colocava perfeitamente alinhandos em uma bandeja a sua frente, esperado seus clientes matinais. Seus vizinhos de calçada também arrumavam vegetais e frutas em suas toalhas estendidas no chão empoeirado. Dezenas de pessoas caminhando, dos dois lados da rua, indo e vindo, carregando sacolas plásticas, arrastando chinelos. Chegamos na primeira avenida. A pista do lado esquerdo está interditada para recapeamento desde que eu cheguei em Bombay. Nos últimos dias terminaram de fazer a base de concreto, moldada em grandes quadrados que agora estão cheios de água. Uma criança semi nua, aparentando no máximo 2 anos de idade anda e salta na água, se divertindo com as gotas que espirram pra todo lado. Ao seu lado não tem nenhum adulto e sim um trânsito caótico de carros, rickshaws e ônibus. Os adultos estão todos a uns 200 metros de distância trabalhando. Os homens com enxadas e pás e as mulheres – e certamente a mãe da criança– carregam grandes bandejas de metal cheias de enormes pedras, de um lugar a outro, vestidas em sarees. Outras crianças, de várias idades, também estão por ali brincando no meio dos buracos, pedras, fossas abertas e ratos. É um parque cinzento, com brinquedos bizarros e crianças maltrapilhas. Outra avenida. Um grupo de trabalhadores se dirige a outro posto de trabalho. Vão a pé. Carregam bandejas de metal na cabeça com ferramentas rudimentares, pás e picaretas nos ombros, crianças no colo ou correndo atrás para acompanhar o passo dos adultos. As mulheres usam sarees e os homens saias amarradas na cintura e sandálias plásticas super coloridas, azul turquesa, amarelo ouro. Nenhum sinal de uniforme ou proteção. Um amigo me consolou na minha indignacao sobre as mulheres indianas que trabalham na construção civil.....Todos tem que participar! Última avenida, Linking road. No farol uma motocicleta com um jovem casal para ao lado do rickshaw. Ele carrega uma pasta de laptop pendurada no pescoço e apoiada sobre o tanque da moto. Ela usa um sawar kamiz – a tradicional túnica com uma calça indiana – e tem os longos cabelos soltos. Ele deve trabalhar em alguma das inúmeras empresas de informática de Bombay e ela em algum banco. Nenhum sinal de proteção aqui também. Nenhum dos dois usa capacete ou jaqueta de couro. Do outro lado, em outro rickshaw um homen lê um jornal. Indianos adoram ler jornais. Principalmente as noticias sociais. Todo dia tem fofocas, casamentos, e festas. Quase nunca divórcios ou separações. Outro dia preenchi divorciada em um formulário e uma colega me alertou prontamente ! Não coloque esta palavra...Coloque casada ! Mas eu não sou casada, isso é mentira! Não tem importância...O importante é não ser divorciada, pois isso sim é errado... Cheguei na escola. Bus, bus...e o rickshaw parou instantâneamente. Antes eu costumava dizer rroco e eles também paravam, mas mais devagar. Muita coisa difícil de entender. Melhor só se ajustar e entrar no ritmo. Cria menos atrito e chego mais rápido a Setembro.

2 comentários:

Egeu Laus disse...

Oi Angelica!
Estou lhe visitando através do Overmundo, via Fê, sua prima. Tá tudo bem?
Estou aqui no Rio de Janeiro querendo saber mais de suas aventuras! Escreva!
Sou fascinado pela história da Costa do Malabar onde fica Kerala e mais ainda por Bombaim, cidade já quase mítica, tão falada nas navegações portuguesas.
Sou designer gráfico, gosto muito de cozinhar (fiz alguns cursos) e não conheço a cozinha indiana. Gostou de alguma coisa?
Abraço!
Egeu Laus

Angelindia Baazar disse...

Oi Egeu bem vindo a minha pagina ! Eu adoro a comida indiana no Brasil..mas aqui tudo eh muito apimentado..Se vc gosta de pimenta iria adorar a comida aqui! rsr
Bombai eh uma cidade poluida e caotica e considerada umas das piores da india. Tem muitas historias, mas viver aqui nao eh facil nao rsr
Fique ligado !
Bjs